O Segredo Maia


O Assassino
Junho 28, 2008, 8:42 pm
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O frio me abraça com seus braços ambíguos.
O perfume da alma que ascende me cobra; indulgente
Recobro a sanidade perdida – intencionalmente.
Aplaudo o espetáculo terminal de uma vida.

Sabia que já vivemos um outro final?
Você já foi muito feliz um dia,
Onde sem motivos extravagantes você sorria!
E as lágrimas que vinham a cair regavam seu lindo jardim.

Lágrima multiforme; Sonhos que derretem enquanto você dorme.
O olhar semicerrado confessa temores encravados na carne.
Em seu leito carmesim se esvaece ao álgido em que arde
A decepção, por não poder apenas dois minutos retroceder.

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Na Parede da Memória
Junho 28, 2008, 8:39 pm
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Parede da Memória - by Wire Design

Da parede da memória fiz uma exposição.
Dos desamores não me privei,
recolhi todos os cacos que haviam no chão.

Convidei todos os meus amores
e inimigos também,
Em minha sala apertados
certifiquei-me de que não faltava ninguém.

Ao fundo era Ameno a tocar,
e tira-gostos circulavam
disfarçando as obsessões presentes no lugar.

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Portais da Alma
Junho 28, 2008, 8:29 pm
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Portais da Alma

Existe nudez em meus olhos… Olhar lascivo!
Imprudente ao fotografar sentimentos legítimos e
impreciso ao enxergar desejos libertinos.

Quimeras dissolutas que exalam musas sensíveis;
Das inspirações outrora sem sombra, forma, rosto,
já sobrepujo as rugas de expressão, o tom, o gosto!

Existe nudez em meus olhos… Ausência de sentimento!
Barganho meu coração oco com as lentes virginais.
Aspiro um pouco do ar condicionado em minh’alma.

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Cochilo dos deuses
Junho 28, 2008, 8:25 pm
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Alone

Os deuses do meu coração parecem dormir,
já não escutam o meu argüido clamor.
O ouro se foi ao vício que não pude resistir,
e o amor? Este desconhecido não o deixei se impor.

Pra longe com a sorte que se compra com a prata.
Trata com o destino um caminho ascendente.
Mente para a morte gritando: Eu não tenho medo!
Cedo chega o julgo para as almas decadentes.

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As Cinzas do Roseiral
Junho 28, 2008, 8:11 pm
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As Cinzas do Roseiral - Foto by Yamada Taro

Queima… O fogo consome
um jardim sem muros
e sem nome.
Um jardim secreto,
acolhido por alvas montanhas
que o enaltece.

Um jardim de flores comuns,
o presente do infecundo.
A inspiração do devasso poeta;
Eis o profeta! Abrem-se as mãos,
rolam-se as pedras.
Desprezam a face que envelhece.

- Salvem a pétala de Maria!
O sofisma se exprime
sob a fumaça.
Sacos grosseiros encobrem
o espetáculo do século!
A nudez recebe sua recompensa.

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Sentindo a Ausência de Sentimento
Junho 28, 2008, 8:02 pm
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Nez Bouche

Fim de tarde, mais uma noite, uma paixão.
Uma paixão? Já é tarde, despede-se outra noite.
Inveje os sorrisos etílicos que assíduos freqüentam o chão,
Desdenhe a prateleira de lábios e vá até a próxima promoção.

Identidade roubada, talvez esquecida sobre algum balcão.
Obrigando-me do lado B, de mim, eternamente reviver
instantes de sanidade sobremaneira abjetos,
Objetos de vaga lembrança em tempos de mansidão.

Junto à corredeira dos fatos desnecessários
se perde no intenso fluxo algumas virtudes d’eu,
E embalado neste abrupto declínio molhado,
se desmancha meu barco de papel, mensageiro, meu…

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O Vento
Junho 28, 2008, 7:56 pm
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Humanos

O vento atrapalha os cabelos,
com ele também se esvaece a vida;
Pouco tempo para dar ouvidos ao medo
e tempo demais para ensaiar despedidas.

Enquanto aguardo o meu trem,
vejo novos rostos chegarem
e rostos antigos embarcarem também.
Pedaços de mim que se vão e que se refazem.

Ainda que eu não te veja no abrir da janela,
terei seu sorriso aprisionado em minha cela.
E mesmo que do outro lado não haja quem a espere,
a qualquer momento poderá cobrar de quem sorrisos te deve.

O tempo desfaz todo medo,
com ele também se esvaece a vida;
Pouco vento para atrapalhar os cabelos
e vento demais para ensaiarmos a despedida.

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Por gostar demais
Junho 28, 2008, 7:52 pm
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Insensitivity

Por gostar demais deixei você se aproximar,
Deixei seu sorriso me estremecer e me viciar,
Deixei seu olhar me constranger e me consumir…
Deixei sua voz me cativar e invadir
todos os poros do meu corpo e me infectar.

Por gostar demais fui um ouvido para o seu lamento
e talvez inocente, uma fagulha para todo o sofrimento.
Mesmo em momentos em que mais ainda confuso eu estava,
Mantendo a fortaleza a qualquer preço, eu lutava!
Mesmo que nas baixas de guerra jazesse algum sentimento.

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O Veleiro
Junho 28, 2008, 7:47 pm
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O Veleiro

No horizonte a cidadela, intermitente cela,
onde meu livre-arbítrio se encerra,
onde meu fado sela
no final do último tombo d’água
a liberdade que me enterra.

Quem me dera ao infinito translúcido volver,
onde o tempo transcendia, sonolento se permitia
perder-se à luz do cadente farol
que ao som da noite dançava,
e à luz do sol se omitia.

Meu veleiro prosseguia.
Eu veleiro, ressentia
sonhos e futuros de que jamais esqueceria.
Guiado pelas ondas a um velho destino,
embriagado pelas taças de minhas companhias.

Marasmo a prazo
que em águas rasas jazia,
o bucólico veleiro que na soma que fazia,
além de seus tesouros
de si mesmo se perdia.

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A Frustração de uma Época
Junho 28, 2008, 7:37 pm
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Nietzsche Sculture

Estou em busca de sentimentos mais nobres,

amizades sem dotes,
diálogos sem cortes,
sorrisos sem mortes.

…em busca de sentimentos mais finos,

à quem se importa com o que sentimos,
sem se importar se dividimos
ou se do acaso todos fugimos.

…em busca de sentimentos transcendentes,

ao lado de almas transparentes
que em meio a dor se vêem contentes,
mesmo em matéria de dor não sendo fluentes.

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