O Segredo Maia


Vertigem das Árvores
Junho 28, 2008, 7:22 pm
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Ocaso Sigiloso

Estou abatido.
Imagem que o espelho não me deixa esquecer.
Fui abatido
por balas perdidas em meio a guerras de poder.

Quando será que os ventos da mudança
irão bater na minha janela?
Quando será que o sol das mudanças
irá iluminar o meu quarto?

Até quando o guerreio do passado
será vitorioso frente ao do futuro?
Até quando as lembranças do meu passado
irão abafar as que tenho do meu futuro?

Decerto, sombras enevoaram minha visão,
enxergo trevas uniformes na imensidão.
Ouço o balbuciar do tempo arrebatando-me do chão,
Sinto o elixir do livre arbítrio envenenando meu coração.

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Ecos Ocos
Junho 28, 2008, 7:16 pm
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Mergulho

Grito!
Grito e sou atropelado por minha própria
ressonância mais a frente no caminho.
Explico! Justifico-me e sou consumido
pelos altivos olhares de meus inimigos,
e surpreendido com os tímidos olhares de meus amores.

Eternamente – até este exato momento percebido -,
Sobrepujo na devassidão o meu grito contrito.
Um grito silencioso, sendo mais um frígido silvo
a embalar-se à mistura mítica da cálida noite,
à mercê da malevolência pérfida da enferrujada foice
que estripa a raiz e embarga a matiz de minha supérflua dor.

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No Trino dos Trilhos
Junho 28, 2008, 7:10 pm
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Nos Trinos Trilhos

No trino dos trilhos da tolice,
vi-me dúplice a vaguear rente ao desespero.
Evocando os incandescentes adornos da imortalidade,
flertando com a súplice sagacidade;
Ao ser mumificado após o duplo-homicídio do ego desvairado.

Ao ser comparado com o futuro imediato,
começa a saga das antigas…
Traças trinetas que Tilintam tremuras trêmulas de traços torpes;
Saturadas à soberba do tecido padrão,
a rede que apanha os sonhos à deriva.

No oportuno caminho em direção ao nada
acumulo poderes e sabedoria que
usarei em meu mundo abstrato,
e ao ser transpassado por meu trem fantasma, vindo do passado,
sou saqueado por mim mesmo, esfacelado pelo medo.

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Transitoriedade
Junho 28, 2008, 4:26 pm
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Transitoriedade

Ainda novo descobri o quão realizador é trabalhar naquilo que se gosta,
e se propor a fazer com garra e amor.
Todos nós temos nossos anseios e sonhos para fazer real,
mas para tirarmos os sonhos da prancheta
é preciso direcionar nossos anseios na direção correta.

Sabendo onde se quer chegar fica bem mais fácil saber
qual caminho escolher e qual meio usar;
quando não se nasce em berço de ouro
é preciso ter força nos braços para segurar-se no trem
- e rapidez para se sentar, claro, sem nunca deixar de ser cortez.

Não pense neste trem de forma literal,
veja-o como uma representação dos lugares
por onde passará até chegar à porta dos sonhos.
Nas pessoas que te ajudarão a percorrer os vagões
e também naqueles que irá ajudar.

Mas cuidado para não perder o foco.
Junte forças suficientes para suportar o impacto da queda;
sim, em algum momento será preciso saltar.
Entrementes, quando chegar a hora não tenha medo,
esse é apenas mais um passo a transitoriedade da vida.

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Os Sentidos
Abril 27, 2008, 6:23 am
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Meus olhos sempre enxergam o que estou olhando.
Meu dia-a-dia é formado por intensas contemplações.
Tudo o que toco, se algum dia foi, deixa de ser meu.
Dôo sensações inesquecíveis e as vezes inebriantes.

Vivo em um jardim florido de pessoas coloridas,
onde até o mais nefasto ser-humano exala um perfume… humano.
Durmo e acordo em uma bolha particular,
onde a música cotidiana influencia diretamente o meu silêncio.
Minha bolha chama-se Planeta Terra.

Admito ser um assassino.
Mas apenas coloco um fim na existência
daquilo que continuará existindo em mim;
meu gosto não é um imperativo.

E por fim, o sexto sentido, esse na verdade não possuo.
Não ouço vozes ou sinto calafrios ao me apaixonar,
ao me refrescar com um copo gelado e entregar a chave…
a bem da verdade, vivo a cada instante o último de minha vida e,
talvez exista sim um sexto: a intuição de reconhecer o
presente recebido sem corrompê-lo por minha limitante racionalidade.

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