O Segredo Maia


Sentindo a Ausência de Sentimento
Junho 28, 2008, 8:02 pm
Arquivado em: Poesia | Tags:

Nez Bouche

Fim de tarde, mais uma noite, uma paixão.
Uma paixão? Já é tarde, despede-se outra noite.
Inveje os sorrisos etílicos que assíduos freqüentam o chão,
Desdenhe a prateleira de lábios e vá até a próxima promoção.

Identidade roubada, talvez esquecida sobre algum balcão.
Obrigando-me do lado B, de mim, eternamente reviver
instantes de sanidade sobremaneira abjetos,
Objetos de vaga lembrança em tempos de mansidão.

Junto à corredeira dos fatos desnecessários
se perde no intenso fluxo algumas virtudes d’eu,
E embalado neste abrupto declínio molhado,
se desmancha meu barco de papel, mensageiro, meu…

Sentindo a ausência de algum sentimento sequer,
ressinto os momentos que imagino algo a sentir;
Sem vínculos com o “eu” que não decide se quer,
tento salvar algo de promissor remanescente em mim.

Nos instantes eternos dos sonhos de alguém,
semeio flores púrpuras em um jardim exclusivo.
Inda correndo o risco de me tornar evasivo,
acendo uma chama prenunciando o alarido;

Intenso! Como o pulsar de um coração.
Preciso! Como as mãos de um cirurgião.
Surpreendente! Como o riso gratuito de uma criança e
Inconseqüente! Quando não limito em mim minhas crianças.

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