
No horizonte a cidadela, intermitente cela,
onde meu livre-arbítrio se encerra,
onde meu fado sela
no final do último tombo d’água
a liberdade que me enterra.
Quem me dera ao infinito translúcido volver,
onde o tempo transcendia, sonolento se permitia
perder-se à luz do cadente farol
que ao som da noite dançava,
e à luz do sol se omitia.
Meu veleiro prosseguia.
Eu veleiro, ressentia
sonhos e futuros de que jamais esqueceria.
Guiado pelas ondas a um velho destino,
embriagado pelas taças de minhas companhias.
Marasmo a prazo
que em águas rasas jazia,
o bucólico veleiro que na soma que fazia,
além de seus tesouros
de si mesmo se perdia.
E em suas córneas sem pudores
o espelho se quebrara,
ao desatino desencontro se lançara.
Perdendo sua religião…
Matando sua grande ambição…
Renascendo do sopro cíclico
que a vida tem em suas mãos.
Assim de volta a seu berço
se fez carruagem, não mais veleiro,
a ser guiado pelos mesmos cavalos
que do penhasco os seus pais não salvaram.
E na cidadela, cabisbaixo vagando,
vê no horizonte o oceano, intermitente plano,
onde o livre-arbítrio, triste engano,
prenunciado pelo ocaso
tenta seduzi-lo a mais um sonho insano.
E seu desabafo surge em lágrimas, gritando:
-Deixaste-me afogar…
Enquanto meus heróis morriam,
sozinhos,
sangrando.
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