O Segredo Maia


O Assassino
Junho 28, 2008, 8:42 pm
Arquivado em: Poesia | Tags:

O frio me abraça com seus braços ambíguos.
O perfume da alma que ascende me cobra; indulgente
Recobro a sanidade perdida – intencionalmente.
Aplaudo o espetáculo terminal de uma vida.

Sabia que já vivemos um outro final?
Você já foi muito feliz um dia,
Onde sem motivos extravagantes você sorria!
E as lágrimas que vinham a cair regavam seu lindo jardim.

Lágrima multiforme; Sonhos que derretem enquanto você dorme.
O olhar semicerrado confessa temores encravados na carne.
Em seu leito carmesim se esvaece ao álgido em que arde
A decepção, por não poder apenas dois minutos retroceder.

Já resta apenas uma frugal cortesia de ar aos pulmões…
Te vejo, mas, não me recordo de ti. Quem é você?
O sol mergulha no oceano e sem primícia esparge o anoitecer,
O epitáfio deixarei às rosas e o discurso – famigerado – ao vento.

Espero que compreenda o porquê disso tudo,
Ainda que eu mesmo não consiga entender.
Resguardo esperança naqueles que um dia irão ler…
Restos das cartas que queimei, as cartas que nunca escrevi.

Seus batimentos cardíacos já imprecisos e intensos,
A cada lenta batida me faz sentir o chão tremer.
Seu rosto lívido congela minh´alma e a faz estremecer;
O fim se aproxima, mas não vejo anjos para te buscar.

Num espasmo súbito desprendo-me da arma do crime,
Aprecio a sinfonia do tilintar da lâmina ao encontrar o chão.
Rompe o silêncio uma fagulha de pensamento: Minhas mãos!
Estão sujas, como me sentarei a mesa para o jantar?

Está noite não haverá ceia, a não ser minha verve sobre a mesa.
Não haverão braços estendidos para me receber,
Nem canções torno à fogueira e minha divindade a se aquecer.
Apenas lágrimas multiformes a molhar meu féretro caiado.

O frio me exala com suas asas cintilantes,
Restou-me um sorriso pífio escondido no rosto.
Ao meu reflexo no orvalho da selva de pedra e esgoto
Permuto uma última imagem… Inda um sorriso inerme.

 

Assista: O Assassino

Copyright © 2007. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.


Sem comentários ainda até agora
Publicar um comentário



Publicar um comentário
As linhas e os parágrafos quebram automaticamente, os endereços de e-mail nunca são mostrados, HTML permitido: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <pre> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>