
Da parede da memória fiz uma exposição.
Dos desamores não me privei,
recolhi todos os cacos que haviam no chão.
Convidei todos os meus amores
e inimigos também,
Em minha sala apertados
certifiquei-me de que não faltava ninguém.
Ao fundo era Ameno a tocar,
e tira-gostos circulavam
disfarçando as obsessões presentes no lugar.
Fiz questão de um a um
a mão apertar e,
indaguei sem sarcasmo, juro!
O quadro que cada um mais estaria a apreciar.
Vi rostos corando e mãos a transpirar,
alguns desconversando
e outros a faltar-lhes o ar.
Vi Le chant balbuciando
e Natasha a lacrimejar,
o inconfundível sorriso irônico de Fernando
que apenas o riso solto do Neném não podia abafar.
Mediante as lisonjas sem o mínimo pudor
mais incisivo tive que me mostrar,
confesso, neste instante caiu-me uma gota de suor.
A uns questionei:
- Olhe para o quadro, lembras das lágrimas?
De alguns escutei:
- Quebre este quadro e esqueça o passado.
Com outros relembrei:
- Vejam nosso quadro, quantos sorrisos rasgados!
- Bons tempos, tais sorrisos será que ainda verei?
Deste hipotético evento
uma valiosa lição pude tirar,
aprendi a valorizar um simples momento
mesmo que este no futuro suspiros não me venha arrancar.
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