
Os deuses do meu coração parecem dormir,
já não escutam o meu argüido clamor.
O ouro se foi ao vício que não pude resistir,
e o amor? Este desconhecido não o deixei se impor.
Pra longe com a sorte que se compra com a prata.
Trata com o destino um caminho ascendente.
Mente para a morte gritando: Eu não tenho medo!
Cedo chega o julgo para as almas decadentes.
Vista-se para o baile, a festa da lua nova;
Os rituais o aguardam e o vinho já destila.
Peça ao mestre empírico uma revelação, uma prova;
Que as donzelas o favoreçam do sacrifício da partilha!
Permita-se voar… Ao cair do corpo desancorado.
Permita-se sentir… O beijo do dragão domesticado.
Permita-se tocar… O rosto do amor desacordado.
Permita-se viver… O instante eterno do olhar enamorado.
Meus deuses não cochilam, quem dirá dormir,
ainda restam muitos castelos de areia a ruir.
Meus sentidos não respondem mais, me sinto normal!
Mais uma noite termina, de volta estou ao mundo real.
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